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Página 124 - Versos 353 a 355 - Diario de Santa Faustina

353
Quando falei disso à Madre Superiora, ela respondeu-me: - ¨A irmã esta vendo como Jesus exige que nós vivamos pela fé.¨ Quando a Madre afastou-se para a capela e eu limpava a sala, ouvi estas palavras: Diz a todas as irmãs que exijo que vivam pelo espírito da fé, em relação às Superioras, no momento presente. Pedi, entretanto, ao confessor que me liberasse dessa obrigação.

354
Quando eu estava conversando com certa pessoa que devia pintar a Imagem, que por certas razões não a estava pintando, ouvi durante a conversa com ela, essa voz na alma: Desejo que ela seja mais obediente. Compreendi que os esforços, ainda que sejam os maiores, se não tiverem o selo da obediência, não são agradáveis a Deus; estou falando da alma religiosa. Ó Deus como é fácil conhecer a Vossa vontade na vida religiosa! Nós almas consagradas, possuímos, de manhã à noite, bem definida a vontade de Deus e, nos momentos de incerteza temos as Superioras, pelos quais Deus nos fala.

355
1934-1935
Véspera do Ano Novo. Recebi autorização para não me deitar e ficar rezando na capela. Uma das irmãs pediu-me que eu oferecesse por ela uma hora de adoração. Concordei e fiquei rezando por ela a hora inteira. Durante a oração, Deus deu-me a conhecer como lhe era muito agradável essa pequena alma.
Ofereci a segunda hora de adoração pela conversão dos pecadores e tentava desagravar a Deus, especialmente, pelas ofensas nesse preciso momento. Oh! Quanto Deus esta sendo ofendido! Ofereci a terceira hora

Página 122 Parágrafo 346 a 347 - Diario de Santa Faustina


346
24.12.1934
Véspera de Natal. De manhã durante a Santa Missa, senti a proximidade de Deus, e o meu espírito irresistivelmente mergulhou n´Ele. Então ouvi estas palavras: Tu és moradia aprazível, em ti repousa o Meu Espírito. Após estas palavras senti o olhar do Senhor no fundo do meu coração e, vendo o minha miséria, humilhava-me em espírito e admirava a grande de uma tão grande miséria.
Durante a Santa Comunhão, a alegria inundou a minha alma. Sentia que estou estreitamente unida com a Divindade; Sua onipotência envolveu todo o meu ser. Ao longo do dia senti a proximidade de Deus de uma maneira especial e, embora as obrigações, durante todo este tempo, não me permitissem ir por um momento à capela, não houve momento em que eu não estivesse unida com Deus; sentia-O em mim de maneira mais sensível do que em outras ocasiões. Saudava sem cessar Nossa Senhora, procurando penetrar no Seu espírito e pedia-Lhe que me ensinasse o verdadeiro amor a Deus. Então ouvi estas palavras: Esta noite, durante a Santa Missa, partilharei contigo o segredo da minha felicidade.
Tivemos a ceia antes das seis horas; apesar da alegria e da algazarra exterior que ocorre por ocasião da partilha do pão ázimo, pela troca de votos e felicitações, nem por um momento, perdi a consciência da presença de Deus. Após a ceia, apressamo-nos com autorização para não me deitar logo mas esperar a Santa Missa do Galo. Fiquei imensamente feliz, pois das nove à meia noite tinha o tempo livre. Das nove às dez, fiz a adoração na intenção de meus pais e toda a minha família; das dez às onze, fiz a adoração na intenção do meu diretor espiritual, primeiramente agradecendo a Deus por se ter me dignado dar-me esse grande auxilio visível na Terra, como me havia prometido, e também pedia a Deus luzes para que ele pudesse conhecer minha alma e dirigir-me de acordo com a vontade de Deus; das onze à meia noite, rezei pela Santa Igreja e pelo clero, pelos pecadores, pelas missões, pelas nossas casas, ofereci as indulgências pelas almas do Purgatório.

347
Meia Noite, 25.12.1934
Missa do galo. Logo que teve início a Santa Missa, começou a envolver-me o recolhimento interior e a alegria inundou a minha alma. Durante o ofertório, vi o Menino Jesus sobre o altar, de uma beleza incomparável. O Menino ficou olhando para todos, o tempo todo, estendendo as suas mãozinhas. No momento da Elevação, não olhava para a capela, mas para o Céu; após a elevação, novamente, olhava para nós, mas por pouco tempo, porque, como de costume, foi partido e consumido pelo sacerdote. Nesta altura, já tinha a túnica branca. No dia seguinte, tive a mesma visão, e no terceiro dia também. É difícil expressar a alegria que eu sentia na minha alma. Esta visão repetiu-se em três Santas Missas, da mesma maneira que as primeiras.


Página 121 Parágrafos 343 a 345 - Diario de Santa Faustina


343
Jesus, agradeço-Vos pelas pequenas cruzinhas diárias, pelas contrariedades nos meus planos, pelas dificuldades na vida em comum, pela má interpretação das minhas intenções, pela humilhação que sofro dos outros, pela saúde fraca e esgotamento físico, pela abnegação da vontade própria, pelo aniquilamento do próprio eu, pela incompreensão em tudo, pelo transtorno de todos os meus planos.
Agradeço-Vos, Jesus, pelos sofrimentos interiores, pela aridez do espírito, pelos temores, medos e incertezas, pelas trevas e espessa cerração interior, pelas tentações e diversas provações, aqueles em que ninguém nos compreenderá, pela hora da morte, pela dificuldade da luta nela, por toda a sua amargura.
Agradeço-Vos, Jesus - que primeiro bebestes esse cálice de amargura, antes de o entregardes a mim, atenuado. Eis que aproximei os lábios do cálice da Vossa santa vontade; seja feito comigo o que a Vossa sabedoria planejou antes dos séculos. Desejo esgotar o cálice dos destinos até a última gota, sem investigar seus significados; na amargura até a minha alegria, no desespero a minha confiança. Em Vós Senhor, tudo o que dá o Vosso coração de Pai é bom; não preferindo consolos às amarguras, nem amarguras aos consolos, por tudo Vos agradeço, Jesus. Minha delícia é contemplar-Vos, Deus inconcebível. Nessas misteriosas experiências permanece o meu espírito, aí sinto que estou na minha casa.Conheço bem a morada de meu esposo. Sinto que não existe em mim uma gota de sangue sequer que não esteja inflamada de amor para Convosco. Beleza não criada, quem Vos conhece uma vez, nada mais pode amar. Sinto o abismo extremo da minha alma e nada pode preenchê-la - a não ser o próprio Deus. Sinto que estou afundando nele como um grãozinho de areia no oceano profundo.

344
Em determinado momento, à noite, quando entrei na cela, vi Nosso Senhor exposto no ostensório, como se fosse ao ar livre. Aos pés de Jesus, estava o meu confessor, e, atrás dele, um grande número de altos dignitários, cujas vestes nunca tinha visto, a não ser nesta visão. E, atrás deles havia membros da vida consagrada; mais além vi grandes multidões de pessoas, que a minha vista não podia abarcar. Vi saindo da Hóstia esses dois raios tal como na Imagem, que se uniram estreitamente, mas não se misturaram, e passaram às mãos do meu confessor, e, depois, às mãos desses religiosos, e de suas mãos passaram às pessoas e voltaram à Hóstia...e, nesse momento, me vi na cela, como se mal tivesse acabado de entrar.

345
Quando durante a semana tive que ir confessar-me, encontrei o meu confessor celebrando a Santa Missa. Na terceira parte da Missa, vi o Menino Jesus, um pouco menor do que de costume e com uma túnica diferente, roxa, pois normalmente tem uma branca.

Pagina 120 Parag.338 a 342 Diário de Santa Faustina


338
¨Jesus, Esposo meu, Tesouro do meu coração. Vós sabeis que conheço somente a Vós e não conheço outro amor além de Vós; mas, Jesus, se eu tiver que me apegar a qualquer coisa além de Vós, peço e suplico-Vos, Jesus, pela força da Vossa misericórdia, enviai-me a morte imediatamente, porque prefiro mil vezes morrer a ser infiel a Vós na mínima coisa.¨

339
Nesse momento surgiu, de repente, Jesus diante de mim, vindo não sei de onde, resplandecente de beleza incriada, vestido de branco e, com os braços erguidos, e disse-me estas palavras: Minha filha, o teu coração é o Meu repouso e o Meu agrado. Nele encontro tudo o que Me nega um tão grande número de almas. Diz isso ao Meu representante. E nesse momento não vi mais nada - apenas todo um mar de consolos inundou a minha alma.

340
Compreendo agora que nada me pode deter no meu amor para Convosco, Jesus, nem o sofrimento, nem as contrariedades, nem o fogo, nem a espada, nem a própria morte. Sinto-me mais forte que tudo isso. Nada pode ser comparado com o amor. Vejo que as mínimas coisas, realizadas por uma alma que ame sinceramente a Deus, têm um valor imenso aos olhos dos Seus Santos.

341
11.05.1934 Um dia, pela manhã, quando abria o portão para deixar entrar as pessoas, que distribuem o pão, entrei por um momento na capela para fazer uma visita de um minuto a Jesus e renovar as intenções do dia. ¨Ó Jesus, eis que hoje ofereço todos os sofrimentos, mortificações, orações nas intenções do Santo Padre, para que aprove a Festa da Misericórdia. Mas, Jesus, tenho mais uma palavra a dizer-Vos: Estou muito admirada por me mandardes falar desta Festa da Misericórdia, visto que uma festa assim - dizem-me - já existe. Então, por que tenho que falar disso?¨E Jesus me respondeu: - Quem dos homens sabem dela? - Ninguém. E até aqueles que devem divulgar e ensinar os homens sobre a misericórdia, eles mesmos, muitas vezes, não o sabem. Por isso desejo que esta Imagem seja solenemente benzida no primeiro domingo depois da Páscoa e que receba veneração pública, para que toda alma possa saber disso. Faz uma novena na intenção do Santo Padre, a qual deve consistir em 33 atos, isto é, na repetição de tantas vezes à misericórdia que te ensinei.
Óh Sangue e Água que jorrastes do coração de Jesus, como fonte de Misericórdia para vós, eu confio em Vós!


Pagina 119 Parágrafos 334 a 337 Diário de Santa Faustina



334
Embora assumais a forma de uma criancinha, eu vejo em Vós o Senhor dos senhores, imortal e ilimitado, a quem glorificam, dia e noite os espíritos puros, por quem ardem os corações dos Serafins com o fogo do mais puro amor. Ó Cristo, ó Jesus, desejo superá-los no amor para Convosco. Peço-Vos desculpas, espíritos puros, pela ousadia de me comparar a vós. Eu sou o abismo da miséria, o precipício do nada, mas Vós, ó Deus, que sois o abismo inconcebível da misericórdia, absorvei-me como o calor do sol absorve uma gota de orvalho. O Vosso olhar amoroso preenche todo o abismo. Sinto-me imensamente feliz por esta grandeza de Deus e só entrevê-la basta para ser feliz por toda a eternidade.

335
Em determinado momento, quando vi Jesus em forma de uma Criancinha, perguntei: ¨Jesus, por que agora conviveis comigo assumindo a forma de uma criancinha? Afinal, assim mesmo, eu reconheço em Vós o Deus inconcebível, meu Criador e Senhor.¨ Jesus me respondeu que, enquanto eu não aprender a simplicidade e a humildade, conviverá comigo como uma criancinha.

336
1934. Durante a Santa Missa, na qual Nosso Senhor estava exposto no Santíssimo Sacramento, vi, antes da Santa Comunhão, dois raios que saíam da Santíssima Hóstia, iguais aos que estão pintados na Imagem, um vermelho, outro pálido. Refletiam-se em cada uma das irmãs e nas educandas, mas não em todas da mesma maneira. Em algumas, mal estavam esboçados. Deu-se isto no dia em que terminou o retiro das meninas.

337
22.11.1934. + Em determinado momento, o diretor espiritual mandou que eu refletisse profundamente sobre mim mesma e me examinasse, para ver se não tinha algum apego a alguma coisa ou criatura, ou a mim mesma, e se não havia em mim tagarelice desnecessária, porque tudo isso impede que Nosso Senhor se sinta à vontade na minha alma. Deus tem ciume do nosso coração e quer que amemos somente a Ele. Quando comecei a refletir profundamente sobre mim mesma, não percebi que tivesse apego a qualquer coisa, mas, como em todas as minhas coisas, também aqui tinha receio de mim e não confiava em mim mesma. Cansada com essa investigação minuciosa, fui diante do Santíssimo Sacramento e roguei ao Senhor com toda a força da minha alma:


Página 118 Parágrafos 331 a 333 - Diario de Santa Faustina


331
Oh! que grande graça é ter um guia da alma. Progride-se mais depressa na virtude, conhece-se mais claramente a vontade de Deus, cumpre-se mais fielmente a vontade de Deus, anda-se por um caminho certo e seguro. O guia sabe contornar os rochedos contra os quais poderia quebrar-se. Deus deu-me essa graça bastante tarde, mas alegro-me muito com ela, vendo como Deus se conforma com os desejos do guia espiritual.
Cito um fato entre os milhares que me acontecem. Como de costume, à noite, eu estava pedindo a Nosso Senhor para me fornecer os assuntos para a meditação de amanhã. Recebi a resposta: Medita sobre o profeta Jonas e sobre sua missão. Agradeci ao Senhor, mas na minha alma comecei a refletir: que meditação diferente das outras. Todavia, com toda a força da alma procurava refletir e encontrei a mim mesma nesse profeta, no sentido de que também eu muitas vezes me escuso diante de Deus, pensando que uma outra pessoa cumpriria melhor a Sua santa vontade - e não compreendo que Deus pode tudo, e que tanto melhor aparecerá o Seu poder, quanto mais imperfeito é o instrumento. Deus esclareceu-me isso. A tarde era a confissão da comunidade. Quando apresentei ao diretor da minha alma o medo que me envolve em virtude dessa missão, para a qual Deus está me utilizando como um instrumento incompetente, respondeu-me o diretor espiritual que, queiramos ou não, somos obrigados a cumprir a vontade de Deus, e deu-me o exemplo do Profeta Jonas. Terminada a confissão, fiquei pensando de onde o confessor sabia que Deus me havia mandado meditar sobre Jonas, pois não lhe falei disso. Então ouvi estas palavras: O sacerdote, quando Me substitui, não é ele que age, mas Eu através dele, e os seus desejos são Meus desejos. Vejo como Jesus defende seus representantes. Ele mesmo se faz presente nas ações deles.

332
Quinta-Feira - Quando comecei a hora santa, queria me concentrar na agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras. Então ouvi na minha alma a voz: Medita sobre os mistérios da Encarnação. E, de repente, surgiu diante de mim o Menino Jesus, radiante de beleza. - Disse-me quanto agrada a Deus a simplicidade da alma. Embora a Minha grandeza seja inconcebível, convivo somente com os pequeninos - exijo de ti a infância espiritual. 

333
Vejo agora claramente como Deus age através do confessor e como é fiel nas Suas promessas. Há duas semanas que o confessor manda que eu reflita sobre essa infância espiritual. No começo eu sentia certa dificuldade, mas o confessor, não levando em conta minha dificuldade, ordenou que eu continuasse a meditar sobre essa infância espiritual. ¨Na prática, essa infância se manifesta da seguinte maneira: A criança não se preocupa com o passado, nem o futuro, mas aproveita o momento presente. Quero estimular na Irmã essa infância espiritual e faço muita questão disso:¨ Vejo como Jesus está atendendo aos desejos do confessor, que agora não se apresenta diante de mim como um Mestre, na plenitude das forças e como homem adulto, mas como uma criancinha. É o Deus transcendente a todo entendimento, que desce a mim como uma criancinha. Contudo o olhar da minha alma não se detém nessa aparência.


Página 111 - Versos 299 a 303


299
Segredo da alma. Vilna 1934
Uma vez, quando o confessor mandou que eu perguntasse a Jesus o que significavam aqueles dois raios na Imagem, respondi-lhe: ¨Muito bem, perguntarei ao Senhor.¨
Durante a oração ouvi estas palavras interiormente: Os dois raios representam o Sangue e a Água: o raio pálido significa a Água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas. Ambos os raios jorraram das entranhas da Minha misericórdia, quando na Cruz, o Meu Coração agonizante foi aberto pela lança. Estes raios defendem as almas da ira do Meu Pai. Feliz aquele que viver à sua sombra, porque não será atingido pelo braço da justiça de Deus. Desejo que o primeiro domingo depois da Páscoa seja a Festa da Misericórdia.

300
Pede ao Meu servo fiel que, nesse dia, fale ao mundo inteiro desta Minha grande misericórdia, que aquele que, nesse dia, se aproximar da Fonte da Vida, alcançará perdão total das culpas e penas.
A humanidade não encontrará a paz enquanto não se voltar com confiança, para a Minha misericórdia. 
Oh! Como Me fere a incredulidade da alma! Essa alma confessa que sou Santo e Justo e não crê que sou Misericórdia, não acredita na Minha bondade. Até os demônios respeitam a Minha justiça, mas não creem na Minha bondade.
Alegra-se o Meu Coração com esse título da Misericórdia. 

301
Diz que a Misericórdia é a maior atributo de Deus. Todas as obras das Minhas mãos são coroadas pela misericórdia.

302
Ó Amor Eterno, desejo que Vos conheçam todas as almas que criastes. Gostaria de me tornar sacerdote, pois, então, falaria sem cessar da Vossa misericórdia às almas pecadores, mergulhadas no desespero. Desejaria ser um missionário e levar a luz da fé aos países selvagens, para Vos dar a conhecer às almas e, imolando-me inteiramente por elas morrer como mártir, como Vós ser sacerdote, missionário, pregador, mesmo mártir, pelo total despojamento e abnegação de mim mesma por amor a Vós, Jesus, e às almas imortais.

303
Um grande amor consegue transformar coisas pequenas em coisas grandes e só ele dá valor às nossas ações; quanto mais puro se tornar o nosso amor, tanto menos o fogo dos sofrimentos terá de purificar em nós, e o sofrimento deixará de ser sofrimento para nós, convertendo-se até em delícia. Pela graça de Deus agora recebi uma tal disposição de coração, que nunca sou tão feliz, como quando sofro por Jesus, a Quem amo com cada pulsar do coração.
Um dia, ao passar por um grande sofrimento, deixei o meu trabalho e fui ter com Jesus, pedindo que me concedesse Sua força. Depois de uma breve oração, voltei ao trabalho cheia de entusiasmo e alegria. Então, disse-me uma das Irmãs: ¨Decerto, a irmã tem hoje muitos consolos, porque está tão radiante. Deus certamente não está dando à Irmã nenhum sofrimento, mas apenas consolos.¨Respondi: ¨A Irmã está muito enganada, porque justamento quando sofro muito, também a minha alegria é menor. ¨ Mas essa alma deu-me a entender que não me compreendia nesse particular. Procurava explicar-lhe que, quando sofremos muito, temos uma grande oportunidade de demonstrar a Deus que O amamos, e quando sofremos pouco, então temos pouca possibilidade para demonstrar a Deus o nosso amor, e quando não sofremos nada, então o nosso amor, e quando não sofremos nada, podemos chegar (ao ponto) de o nosso sofrimento transformar-se em deleite, porque o amor sabe fazer tais coisas nas almas puras.

Pagina 109 - Versos 289 a 293 Diário Sta Faustina


289
Os momentos mais felizes para mim são aqueles que passo a sós com o meu Senhor. Nesses momentos conheço a grandeza de Deus e a minha própria miséria.
Em determinado momento Jesus me disse: Não te admires se, às vezes, és julgada injustamente. Eu, por teu amor, bebi por primeiro o cálice de sofrimentos não merecidos. 

290
Em determinado momento, quando fiquei impressionada com a eternidade e seus mistérios, minha alma começou a amedrontar-se e, refletindo por mais um momento, começaram a atormentar-me diversas dúvidas. Então Jesus me disse: Minha filhinha, não tenham medo da casa de teu Pai. Deixa as vãs investigações aos sábios deste mundo. Eu quero ver-te sempre como uma pequena criança. Pergunta tudo com simplicidade ao confessor, e Eu te responderei pela boca dele.

291
Uma vez conheci uma pessoa que pretendia cometer um pecado grave. Pedi ao Senhor que me fizesse sofrer os maiores tormentos para que aquela alma fosse salva. Então, de repente, senti a dor terrível de uma coroa de espinhos na cabeça. Isso demorou bastante, mas aquela pessoa permaneceu na graça de Deus. Ó meu Jesus, com quanta facilidade nos podemos santificar; é preciso apenas um pouquinho de boa vontade, apressa-se em entregar-se à alma, e nada pode detê-Lo, nem os erros, nem as quedas, absolutamente nada. Jesus tem pressa em ajudar a essa alma e, se a alma é fiel a essa graça de Deus, em pouco tempo pode atingir o mais alto grau de santidade que uma criatura é capaz de atingir o mais alto grau de santidade que uma criatura é capaz de atingir aqui Terra. Deus é muito generoso e a ninguém nega a Sua graça; até dá mais do que Lhe pedimos. A fidelidade às inspirações do Espírito Santo é o caminho mais curto.

292
Quando a alma ama a Deus sinceramente, nada deve recear na sua vida espiritual. Que se entregue à influência da graça e não oponha barreiras à união com o Senhor!

293
Quando Jesus me encantou com Sua beleza e atraiu a Si, então percebi o que não Lhe agrada na minha alma e resolvi livrar-me disso a todo custo, e com o auxílio da graça logo o consegui. Essa generosidade agradou ao Senhor e, desde esse momento, Deus começou a conceder-me graças superiores. Nada pondero na vida interior, não analiso os caminhos pelos quais me conduz o Espírito Divino; satisfaço-me em saber que sou amada e amo. O Espírito Divino; satisfaço-me em saber que sou amada e amo. O amor puro permite-me conhecer a Deus e entender muitos mistérios. O confessor é para mim um oráculo; para mim a sua palavra é sagrada; estou me referindo ao diretor espiritual.

294
Em determinado momento o Senhor me disse: Procede como um mendigo, que, quando recebe uma esmola maior, não a recusa, mas antes a agradece efusivamente; também tu, se te concedo graças maiores, não te escuses dizendo que és indigna delas. Eu sei disso; mas antes, fica feliz e alegra-te e tira tantos tesouros do Meu Coração, quantos puderes carregar, porque então Me agrada mais. E digo-te ainda uma coisa: extrai essas graças não apenas para ti, mas também para o próximo, isto é, encoraja as almas com as quais convives à confiança na Minha infinita misericórdia. Oh! quanto amo as almas que têm plena confiança em Mim! Tudo farei por elas.

295
Nesse momento Jesus me perguntou: Minha filha, como vai o teu retiro? - Respondi: ¨Jesus, Vós bem o sabeis¨. Sim, estarei sempre a teu lado, se fores sempre como uma pequena criança e de nada tiveres medo; assim como foi aqui teu princípio, assim também serei fim. Não dependas das criaturas, ainda que seja na mínima coisa, porque isso não Me agrada. Quero ficar só Eu na tua alma. Eu te darei força de alma e luz, e saberás da boca do Meu representante, que Eu estou em ti, e a inquietação se dissipará como a névoa aos raios do sol.

296
Ó Bem Supremo, quero amar-Vos como ninguém na Terra Vos amou. Quero glorificar-Vos em cada momento da minha vida e identificar estreitamente a minha vontade com a Vossa santa vontade. Minha vida não é monótoma e cinzenta, mas é variada, como um jardim de fragrantes flores e de tal modo, que nem sei que flor colher primeiro, se o lírio dos sofrimentos, se a rosa do amor ao próximo, ou a violeta da humildade. Não vou enumerar esses tesouros que abundem em todos os dias. É uma grande coisa saber como aproveitar o momento presente.

297
Jesus, luz suprema, permiti que Vos conheça e penetrai com Vossa luz a escuridão da minha alma e enchei de Vós o abismo da minha alma, porque só Vós (...).

298
Ó meu Jesus, vida, caminho e verdade, peço-Vos, segurai-me perto de Vós como uma mãe segura seu filhinho, estreitando-o ao peito, porque eu não sou apenas uma criança desajeitada, mas o acúmulo da miséria e do nada.


Pagina 104 Versos 268 a 270 Diário Sta Faustina

268
11/10/1933
Quinta-feira: Procurei rezar a Hora Santa, mas comecei-a com grande dificuldade. Uma espécie de saudade começou a lacerar  meu coração. A minha mente ficou de tal forma obscurecida, que não podia compreender as mais simples fórmulas da oração. E assim passei uma hora de oração, ou antes, de luta. Decidi rezar mais uma hora, mas os sofrimentos interiores intensificaram-se. - Uma grande aridez e desânimo. Decidi, então, rezar uma terceira hora de oração, que decidi passar de joelhos sem nenhum apoio, o meu corpo começou a exigir descanso. Mas em nada folguei. Abri os braços em cruz e, embora não pronunciasse palavras, por um ato de vontade eu perseverava. Em seguida tirei o anel do dedo e pedi que Jesus olhasse para esse anel, que é sinal da nossa eterna união e ofereci a Nosso Senhor aqueles sentimentos que tive no dia dos votos perpétuos.  Instantes após,  senti uma onda de amor começava envolver o meu coração. Depois deu-se um repentino recolhimento do espírito, os sentidos se acalmam, a presença de Deus penetrou a alma.  Sabia apenas que existe Jesus e eu. Vi-O da mesma forma que tinha visto no primeiro momento após os votos perpétuos, quando também rezava uma Hora Santa. Jesus surgiu, de repente, diante de mim, despido de escarros. Então, o Senhor me disse: A esposa deve ser semelhante ao seu esposo. Compreendi a fundo essas palavras. Aqui não havia lugar para qualquer tipo de dúvida. A minha semelhança com Jesus deve ser pelo sofrimento e pela humildade. - Olha o que fez de Mim o amor pelas almas  humanas. Minha filha, no teu coração encontro tudo que me nega um tão grande número de almas. O teu coração é o meu repouso; muitas vezes, guardo grandes graças para o final da oração.

269
Em determinado momento, quando fiz uma novena ao Espírito Santo em intenção do confessor, o Senhor me respondeu: Permiti que o conhecesses antes, que as Superioras te enviassem para cá; assim como procederes com o confessor, assim Eu procederei contigo. Se te ocultares diante dele, embora seja com a menor graça Minha, também Eu Me ocultarei diante de ti, e ficarás sozinha. Procedi de acordo com o desejo de Deus e uma profunda paz reinou na minha alma. Agora compreendo como Deus defende os confessores e como toma o seu partido.

270
Conselho do Padre Sopocko
¨Sem humildade, não podemos agradar a Deus. Exercite-se no terceiro grau da humildade, isto é, não tente se explicar e justificar, quando a acusarem de alguma coisa, mas alegre-se com a humilhação.

Se essas coisas que você está dizendo procedem verdadeiramente de Deus, prepare a sua alma para grandes sofrimentos de Deus. Você terá que enfrentar a incompreensão, a perseguição; olharão para você como uma histérica, excêntrica, mas Deus não poupará Sua graça. As verdadeiras obras divinas sempre encontram dificuldades e caracterizam-se pelo sofrimento. Quando Deus quer alguma coisa, mas cedo ou mais tarde a realizará; você, entretanto, arme-se de grande paciência.¨

Pág.105 Versos 271 a 273


271
Quando o Padre Dr. Sopocko partiu para a Terra Santa, a comunidade confessava-se, nesse período, com o Padre Dabrowski S.J. Numa confissão perguntou-me se eu estava consciente da vida mais elevada que existia na minha alma e que existia num grau imensamente grande. Respondi que estava consciente disso e sabia o que estava acontecendo no meu íntimo. Disse-me, então: ¨A Irmã não pode destruir isso na sua alma, nem mudar por sua conta. Não é em todas as almas que se manifesta essa grande felicidade de uma vida mais elevada, e, na irmã, ela é visível, porque existe em grau muito elevado. Que a irmã tome cuidado para não desperdiçar essas grandes graças divinas, uma grande...¨(pensamento interrompido).

272
Contudo, este mesmo Padre, anteriormente, tinha-me exposto a muitas provas. E, quando lhe contei que Deus estava exigindo de mim estas coisas, riu de mim e mandou que eu fosse confessar-me às oito da noite. E quando eu fui às oito, o Irmão já estava fechando a igreja. Pedi-lhe que fosse avisar ao Padre que eu tinha vindo, pois o Padre tinha mandado que eu viesse a essa hora. O bom irmão foi e comunicou ao Padre, que entretanto me mandou dizer que os padres não ouvem confissões nessa hora. Voltei sem nada para casa, e já não me confessei mais com ele, mas fiz por ele uma hora inteira de adoração e certas mortificações, para pedir para ele a luz divina de discernimento. E assim, quando o Padre Dr. Sopocko partiu e ele o substituiu, fui obrigada a ir confessar-me com ele. E o que antes não queria reconhecer, agora está me obrigando a uma grande fidelidade a essas inspirações interiores. Deus, às vezes, permite tais coisas; que em tudo seja louvado. No entanto, precisa-se de grandes graças para não se abalar.

273
Retiro Anual 10/01/1934
Meu Jesus, novamente está se aproximando o momento em que ficarei a sós Convosco. Jesus, peço-Vos de todo o coração, dai-me a conhecer o que devo fazer para me tornar mais agradável a Vós. Não me negueis essa graça e ficai comigo. Eu sei que sem Vós, Senhor, pouco adiantarão os meus esforços. Oh! como me alegro com a Vossa grandeza, Senhor. Quanto mais Vos conheço, tanto mais Vos quero e desejo.



Pagina 70 Versos Diário 142 a 145 - Diario de Santa Faustina


142
Quando fui tranquilizada e instruída sobre a maneira de como proceder nesses caminhos de Deus, o meu espírito alegrou-se no Senhor, e parecia-me que não estava andando, mas correndo; as minhas asas abriram-se para o voo e comecei a elevar-me até o próprio Sol abrasador, e não hei de descer antes de repousar n´Aquele em quem a minha alma mergulhou para sempre. Abandonei-me inteiramente à influência da graça; grandes são as visitações, quando penetra minha alma! Não me afasto nem nego, mas mergulho n´Ele, como no meu único Tesouro. Sou um só com o Senhor; o abismo entre nós, Criador e criatura, como que em êxtase contínuo. A presença de Deus não me abandonava por um momento sequer. E a minha alma permanecia numa contínua amorosa união com o Senhor. Contudo, isso não me impedia de cumprir as minhas obrigações. Sentia que estava transformada em amor, toda incendiada, mas sem (prejuízo). Continuamente estava absorta em Deus que me atraía a Si com tanta força e vigor que, por vezes, nem me dava conta de estar na Terra. Durante muito tempo havia impedido a ação da graça de Deus e tinha medo dela, mas agora o próprio Deus, através desse Frei Andrasz, afastou todos os obstáculos. O meu espírito voltou-se para o Sol e floresceu em suas chamas para Ele apenas, já não compreendo (interrompe e começa um novo pensamento em outro parágrafo.

143
Desperdicei muita graça de Deus, pois sempre temia que fosse ilusão, embora Deus me atraísse a Si com tanta força, que muitas vezes, não tinha condições de me opor à Sua graça. Quando me via, de repente, mergulhada n´Ele, mesmo que quisesse inquietar-me não podia, tão grande era a paz que Jesus me concedia. E então ouvi na alma estas palavras: Para que fiques tranquila de que sou Eu o autor e todas estas exigências, te concederei uma paz tão profunda que, ainda que quisesse inquietar-te e ficar assustada, não estaria em teu poder fazê-lo, pois o amor inundará a tua alma até ao esquecimento de si mesma.


144
Mais tarde, Jesus deu-me um outro sacerdote, diante do qual mandou que eu abrisse a minha alma. Embora a princípio fizesse com um pouco de hesitação, a severa repreensão de Jesus produziu na alma uma profunda humildade. Sob a direção deste sacerdote, a minha alma progredia rapidamente no amor a Deus e muitos desejos do Senhor foram concretizados exteriormente. Muitas vezes, ficava refletindo sobre a coragem dele e sua profunda humildade.


145
Oh! Como é miserável a minha alma que desperdiçou tantas graças. Eu fugia de Deus, e Ele me perseguia com Suas graças. Na maior parte das vezes, recebia graças divinas, quando menos as esperava. Mas, desde o momento em que o Senhor me deu um diretor espiritual, sou mais fiel à graça. Graças ao diretor espiritual, e à sua vigilância sobre a minha alma, conheci o que é a direção espiritual  como Jesus a considera. Jesus me repreendia menor falta e fazia-me sentir que Ele mesmo julga as coisas que eu apresento ao confessor – e toda falta contra ele atinge a Mim mesmo.

Pagina 69 Versos 139 a 142 Diário de Santa Faustina


139
Contudo, a alma fiel a Deus não é capaz de discernir por si só as suas inspirações; deve submetê-las ao controle de um sacerdote muito instruído e sábio, e é bom que delas desconfie enquanto não se certificar. Não confie nessas inspirações e em todas as mais altas graças, porque pode expor-se a grandes prejuízos.
Embora a alma possa de imediato distinguir as inspirações falsas das inspirações de Deus, contudo deve tomar cuidado, porque há muitas coisas incertas. Deus gosta e alegra-se quando a alma não crê apenas n´Ele mesmo; porque O ama, toma cuidado, pergunta e ela mesma busca ajuda, para verificar se é realmente Deus que esta agindo nela. E, tendo se convencido através de um sábio confessor, deve então ficar em paz e entregar-se a Deus de acordo com a Sua orientação, isto é, de acordo com a orientação do confessor.

140
O amor puro é capaz de grandes ações e não se deixa abater por dificuldades ou contrariedades. Assim como o amor é forte nas grandes dificuldades, assim também é perseverante na vida monótona, diária, penosa. A alma que ama sabe que, para ser agradável a Deus, uma só coisa é necessária, isto é, fazer mesmo as mínimas coisas por grande amor - amor e sempre amor.
O amor puro nunca se engana, pois está admiravelmente cheio de luz e não fará nada que possa desagradar a Deus. É engenhoso em praticar o que é mais agradável a Deus e ninguém o supera; fica feliz quando se pode aniquilar e consumir-se como oblação pura. Quando mais dá de si, tanto maior é sua felicidade; mas também ninguém sabe pressentir os perigos de tão longe como ela; sabe como desmascarar e sabe com quem está lidando.

141
Mas os meus tormentos já estão chegando ao fim. O senhor está a dar-me a ajuda prometida, vejo-a em dois sacerdotes: Frei Andrasz e Padre Sopocko. No retiro, antes dos votos perpétuos, pela primeira vez fui tranquilizada inteiramente, e mais tarde fui conduzida nessa mesma direção pelo Padre Sopocko - aqui cumpriu-se a promessa do Senhor.

Pagina 68 - Versos 136 a 138 Diario de Santa Faustina


136
Jesus me deu a conhecer que, embora eu não concordasse com isso, poderia me salvar sem que diminuíssem as graças que me concedia, continuando até com a mesma íntima união comigo de tal forma que, mesmo sem a minha adesão a esse sacrifício conhecer que todo o mistério dependia de mim, do meu voluntário consentimento no sacrífício na inteira consciência do meu espírito.Neste ato voluntário e consciente reside todo o poder e valor diante de Sua majestade inconcebível. Sentia que Deus estava aguardando a minha palavra, o meu consentimento. Então, o meu espírito mergulhou no Senhor e eu disse: ¨Fazei de mim o que você aprouver, submeto-me à Vossa vontade. A vossa santa vontade hoje em diante será o meu alimento. Serei fiel às Vossas exigências, com o auxílio da Vossa graça. Fazei de mim o que quiserdes. Suplico-Vos, Senhor, permanecei comigo em cada momento da minha vida.¨

137
Nesse momento, quando consenti nesse sacrífício de toda minha vontade e coração, a presença de Deus me penetrou toda a minha alma mergulhou em Deus e foi inundada de tanta felicidade de que nem em parte posso descrevê-la. Sentia que Sua majestade me envolvia. Uni-me com Deus de uma maneira estranha. Via grande agrado que Deus tem por mim, e o meu espírito por sua vez mergulhou n´Ele. Consciente dessa união com Deus, sinto que sou amada de maneira especial e eu, da minha parte, estou amando com toda a força da minha alma. - Ocorreu um grande segredo nessa adoração. Um segredo entre mim e o Senhor, e parece-me que ia morrer de amor só de ver o Seu olhar. Falava muito com o Senhor, mas sem palavras.  E o Senhor disse-me : És a delícia do Meu Coração. De hoje em diante tudo o que fizeres, mesmo mais insignificante será agradável aos Meus olhos. Nesse momento senti-me consagrada. O invólucro do corpo parecia o mesmo, mas a minha alma estava alterada, pois agora nela habitava. Deus com toda a Sua complacência. E isto não é uma mera sensação, mas uma realidade consciente, que nada pode obscurecer . Um grande mistério, realizou-se entre mim e Deus.

138
A coragem e a força permaneceram na minha alma. Quando saí da adoração, olhei com tranqüilidade para tudo aquilo que antes tanto temia. Foi logo no corredor que deparei com um grande sofrimento e humilhação da parte de uma pessoa. Aceitei-o com submissão à vontade com submissão à vontade superior e recolhi-me profundamente no Sacratíssimo Coração de Jesus, dando-Lhe a conhecer que estou pronta para o que me havia oferecido. O sofrimento parecia brotar debaixo da terra.Até a própria Madre Margarida admirava-se disso. Às outras deixam passar muitas coisas, porque realmente não vale a pena prestar atenção nisso, mas a mim não deixam passar  nada, toda palavra analisada, todo passo observado. Uma das Irmãs disse-me: ¨A Irmã que se prepare para receber a pequena cruz que a aguarda da parte da Madre Superiora; tenho tanta pena da Irmã¨. E eu alegrava-me com isso no mais fundo da minha alma e já muito tempo estava preparada para isso. Quando viu a minha coragem, ficou muito surpreendida. Sei agora que a alma por si só não pode muito, mas com Deus tudo pode. Eis do que é capaz a graça de Deus. Poucas são as almas que estejam sempre atentas à inspirações de Deus e menos ainda as que estejam dispostas a segui-las fielmente.

Página 67 - Versos Diario 133 a 135

133
Uma vez chamou-me uma das Madres mais velhas e, como que do céu claro, começaram a desabar raios, de maneira que eu nem sabia mais do que se tratava. Mas logo compreendi que foi por um motivo que absolutamente não dependia de mim. Disse-me ela: ¨Irmã, tire da cabeça que Nosso Senhor possa conviver com a Irmã tão familiarmente, com uma miserável, uma tão imperfeita. Nossa Senhor convive apenas com almas santas, lembre-se isso. ¨ Reconheci que ela tinha toda a razão, porque sou miserável, mas, no entanto, continuo a confiar na misericórdia de Deus. Quando me encontrei com o Senhor, humilhei-me e disse: ¨Jesus, parece que Vós não convives com uma miserável da minha espécie? - Fique tranquila, Minha filha. Justamente através de uma tal miséria quero demonstrar o poder da Minha misericórdia. Compreendi então que essa Madre queria somente humilhar-me.

134
Ó meu Jesus, Vós me mandastes muitas provações nesta breve vida, compreendi muitas coisas, até coisas assim de que agora me admiro. Oh! Como é bom entregar tudo nas mãos de Deus e consentir que Ele aja plenamente na alma.


136
Durante as terceira provação, o Senhor deu-me a conhecer que eu devia oferecer-me a Ele, a fim de que pudesse fazer comigo o que Lhe aprouvesse. Devia sempre colocar-me na Sua presença como vítima de oblação. No começo, fiquei com medo, sentindo a minha miséria profunda, conhecendo bem a mim mesma. Respondi ao Senhor mais uma vez:- ¨Sou a miséria em pessoa, como posso servir como vítima?¨Hoje não compreendes isso. Amanhã te darei a conhecer isso durante a adoração. O meu coração e a minha alma tremiam. Essas palavras calaram profundamente na minha alma. A palavra de Deus é viva. Quando cheguei para a adoração, senti na alma que tinha entrado no santuário do Deus Vivo, cuja a majestade é grande e inconcebível. E o Senhor me deu a conhecer o que são até os espíritos mais puros diante D´Ele. Embora exteriormente eu nada visse, a presença de Deus me penetrava toda. Nesse momento, a minha mente foi estranhamente iluminada. Surgiu diante dos meus olhos da minha alma uma visão que era como a de Nosso Senhor no Jardim das Oliveiras. Primeiramente, os sofrimentos físicos e todas as circunstâncias que os agravavam; em seguida os sofrimentos espirituais em toda a sua extensão e ainda aqueles dos quais ninguém saberá. Essa visão englobava tudo: julgamentos injustos, difamações. O que escrevo é um resumo, mas esse conhecimento era tão claro que, o que mais tarde passei em nada era diferente daquilo que experimentei nesse momento. O meu nome devia ser ¨vítima¨. Quando terminou a visão, um suor frio me cobria a testa.

Pagina 66 Versos Diario 131 a 132


131
Jesus, Vós podeis ajudar-me! E já comecei desde esse momento a esconder todas as graças na minha alma, aguardando aquele que o Senhor me enviará. Não tendo nenhuma dúvida, meu coração, pedia ao Senhor que Ele mesmo se dignasse ajudar-me nesses momentos, e uma certa coragem penetrou na alma.

132
Devo mencionar ainda que existem alguns confessores que ajudam à alma e são, assim parece, pais espirituais, mais até certo ponto, enquanto tudo vai bem. Mas, quando a alma se encontra em maiores necessidades, tornam-se como que hesitantes e não podem, ou não querem, compreender a alma. Procura livrar-se dela o quanto antes, mas, se é humilde, a alma sempre aproveita ao menos um pouco. O próprio Deus, algumas vezes lança um raio de luz no fundo da alma, pela sua humildade e fé. Às vezes, o confessor diz o que absolutamente não tencionava dizer e ele mesmo não se dá conta disso. Oh! Acredite a alma que são palavras do próprio Senhor. Embora devamos acreditar que toda palavra dita no confessionário seja divina, o que mencionei acima que o sacerdote não é senhor de si mesmo - que diz o que não pretenderia. É assim que Deus recompensa a fé. Experimentei isso várias vezes por mim mesma. Certo sacerdote, muito culto e bastante respeitado - algumas vezes eu tinha que confessar-me com ele - sempre era severo e sempre me contrariava nessas coisas, mas uma vez me respondeu: ¨Saiba, Irmã, que se Deus exige que a Irmã realize tais coisas, não se deve opor. Deus quer, por vezes. ser glorificado justamente dessa maneira, Fique tranquila; pois se Deus começou, Deus terminará, mas recomendo-lhe: fidelidade a Deus e humildade e, uma vez mais, humildade. Nunca se esqueça do que eu lhe disse hoje.¨ Fiquei satisfeita e pensei que talvez esse sacerdote me tivesse compreendido. Mas as circunstâncias fizeram com que nunca mais me confessasse com ele.

Página 65 Versos Diário 129 a 130


129
Um certo dia uma das Madres ficou tão zangada comigo e humilhou-me tanto, que eu pensava que não suportaria mais. Disse-me ¨Excêntrica, histérica, visionária, suma do meu quarto, não quero mais ver a Irmã.¨- E caiu sobre a minha cabeça todo um palavrório. Ao chegar à minha cela, caí de bruços diante do crucifixo e olhei para Jesus; já não era capaz de pronunciar uma só palavra. E, no entanto, eu disfarçava diante das outras e fingia que nada tinha havido entre nós.
Satanás sempre aproveita de tais momentos; começaram a assaltar-me pensamentos de desânimo: ¨Eis a recompensa pela tua fidelidade e sinceridade. Como se pode ser sincera, quando se é assim tão incompreendida? ¨ ¨Jesus, Jesus, não aguento mais! ¨Caí novamente ao chão sob esse peso e cobri-e de suor; uma espécie de temor começou a dominar-me. Não tinha em quem me apoiar interiormente. Nisso ouvi uma voz na alma: Não temas: Eu estou contigo! E uma luz estranha iluminou a minha mente; compreendi então que não devia render-me a essas tristezas. Uma força penetrou -me e saí da cela com nova coragem, pronta para enfrentar os sofrimentos.

130
Mas, apesar de tudo, comecei a desleixar-me um pouco. Não prestava atenção às inspirações interiores, procurando ficar distraída. Mas, apesar da algazarra e da distração, eu percebia o que estava acontecendo na minha alma. A palavra de Deus é eloquente e nada pode sufocar. Comecei a evitar o encontro com o Senhor na própria alma, porque não queria ser vítima de ilusões. No entanto, o Senhor parecia perseguir-me com os Seus dons e, realmente, eu experimentava ora dor, ora alegria. Não menciono aqui as diversas visões e graças que Deus me concedeu nesses momentos, porque tenho anotado isso em outra parte, mas mencionarei aqui que, tendo todos esses sofrimentos chegado ao cúmulo, resolvi, antes dos votos perpétuos, pôr um termo a essas dúvidas. Durante todo o tempo da provação, eu rezei pedindo luzes para o sacerdote diante do qual eu devia desvendar-me - abrir inteiramente a minha alma. E pedia a Deus que Ele mesmo me ajudasse nisso e me desse a graça de poder exprimir as coisas mais secretas que se dão entre mim e o Senhor, e que me dispusesse a considerar, como vindo do próprio Cristo tudo o que esse sacerdote decidisse. Não importa o que julgar de mim, eu desejo somente a verdade. Já não posso viver mais em dúvidas e embora na minha alma tivesse tanta certeza sobre a proveniência divina de todas essas coisas a ponto de morrer por elas, resolvi colocar a opinião do confessor acima de tudo e proceder como ele decidisse e segundo suas indicações. Vejo que esse momento decidirá tudo.Não importa se me falará de acordo com as minhas inspirações ou exatamente ao contrário; isso já não me importava. O que eu desejava, era conhecer a verdade e segui-la.

Página 64 Versos 125 a 128




125
Tudo isso ainda se podia suportar. Mas, quando o Senhor exigiu que eu pintasse aquela Imagem, começaram a falar de mim abertamente e a olhar-me como se fosse uma histérica ou visionária, e tudo começou a se espalhar cada vez mais. Uma das Irmãs veio falar comigo confidencialmente. E começou a manifestar pena de mim. Disse-me: ¨Ouvi dizer que a Irmã é uma visionária, que está tendo visões. Pobre Irmã, procure defender-se disso. ¨Essa alma era sincera e disse-me sinceramente o que tinha ouvido. Mas eu tinha que escutar coisas assim todos os dias. E. quanto isso me afligia, só Deus o sabe.
126
Contudo, decidi suportar tudo em silêncio, sem dar explicações às perguntas que me eram feitas. Este meu silêncio irritava profundamente - diziam que, ¨apesar de tudo, a Irmã Faustina deve estar muito perto de Deus, se tem forças para suportar tantos juizos. Buscava o silêncio interior e exterior. Não dizia nada do que se relacionasse com a minha pessoa, embora algumas Irmãs me fizessem perguntas diretamente. Os meus lábios estavam selados. Sofria como uma pomba, sem me queixar. Mas algumas Irmãs pareciam sentir prazer em me incomodar de uma ou outra forma. Ficavam irritadas com a minha paciência; no entanto, Deus me dava interiormente tanta força que eu suportava tudo com tranquilidade.
127
Reconheci que nesses momentos não teria ajuda de ninguém e comecei a rezar, pedindo ao Senhor um confessor. Desejava que algum  sacerdote me dissesse esta única palavra: ¨Fique tranquila, você está no caminho certo¨, ou: ¨Afaste tudo isso, porque isso não provém de Deus. ¨Mas não encontrei um sacerdote suficientemente decidido, que me falasse tão claramente em nome do Senhor. Portanto, continuava a incerteza. Ó Jesus, se for Vossa vontade que eu viva em tal incerteza, bendito seja o Vosso nome. Peço-Vos, Senhor, guiai Vós mesmo a minha alma e ficai comigo porque eu por mim mesma não sou nada.
128
Eis que estou sendo julgada de todos os lados; já não existe em mim nada que tenha escapado do julgamento das Irmãs, mas pareceu que já tudo se esgotara e começaram a me deixar em paz. A minha alma cansada descansou um pouco e fiquei sabendo que o Senhor estava mais perto de mim durante essas perseguições. A trégua, porém, durou pouco. Uma forte tempestade explodiu novamente. Agora, as antigas suspeitas tornaram-se para elas como que coisa certa; e novamente foi preciso ouvir as mesmas cantilenas. Era o Senhor que assim o desejava. Mas, a coisa estranha, até exteriormente comecei a ter diversos insucessos, trazendo-me inúmeros e vários sofrimentos, por Deus somente conhecidos. Entretanto, esforçava-me como podia para fazer tudo com a mais pura das intenções. Vejo agora que estou sendo vigiada em toda a parte como se fosse uma ladra: Na capela, no trabalho, na minha cela. Então soube que, além da presença de Deus, havia sempre a presença humana ao meu lado. Muitas vezes, essa presença humana me incomodava imensamente. Havia momentos em que ficava refletindo se devia despir-me para tomar banho ou não. Mesmo a minha pobre cama chegou a ser revistada. Às vezes, até me dava vontade de rir, quando descobria que não deixam em paz nem mesmo a minha cama. Uma das Irmãs me revelou que todas as noites ficava espiando para mim na cela, para ver como me comportava.
Entretanto,as Superioras sempre são superioras e, embora me humilhassem pessoalmente e muitas vezes enchessem de várias dúvidas, sempre me permitiam o que exigia o Senhor, embora não da forma como eu pedia, satisfaziam as exigências do Senhor de maneira diferente e permitiam-me essas penitências e rigores.

O Purgatório" segundo o Pe. M. SOPOCKO

"O Purgatório" segundo o Pe. M. SOPOCKO,
(Confessor e Director Espiritual de Santa Faustina) "Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar" (Jo 9,4). A - Com essas palavras, Jesus ensina-nos que só podemos acumular méritos enquanto vivermos neste mundo, e que no além-túmulo não podemos fazer nada para merecer a vida eterna. Nem toda a alma que sai deste mundo, com a graça santificante, possui a perfeição que o Senhor exige: «Sede perfeitos assim como vosso Pai Celeste é perfeito» (Mt 5, 48). A Maioria morre tendo apenas uma orientação para Deus, mas ainda imatura para a felicidade eterna. Neste caso, Deus dá-nos a possibilidade de nos purificarmos.
- Desta possibilidade fala Jesus quando fala da prisão da qual «não sairá antes de ter pago o último centavo».(Mt. 5 , 26). A essa mesma possibilidade parece aludir São Paulo ao falar daquele Evangelizador que, sobre o fundamento que é Cristo, constrói "com ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha[...] Ele mesmo, entretanto, será salvo, mas como que através do fogo" (l Cor 3, 12-15).
- As inscrições nos túmulos dos primeiros cristãos e os Padres da Igreja testemunham que já os primeiros cristãos tinham o costume de fazer orações, dar esmolas e principalmente celebrar o Santo Sacrifício Eucarístico pelo alívio e descanso eterno dos mortos. Lembravam-se dessa salvação que passava, de alguma maneira, "através do fogo" e apressavam-se em levar ajuda aos seus irmãos. Com esse fundamento, nos concílios de Lyon (1247), Florença (1438-45) e de Trento (1545¬63), a Igreja formulou o dogma ( isto é, uma Verdade de Fé) de que, após a morte, a alma humana pode passar por um estado de purificação, e que as almas submetidas a esse estado podem ser ajudadas pela intercessão dos fiéis. - Trata-se apenas da purificação da alma, do afastamento dos danos que ainda permanecem, e não de uma elevação positiva e do aperfeiçoamento interior. E como com a morte se encerram todos os actos meritórios, a libertação das antigas imperfeições pode ter a feição de um castigo, de sofrimento, e não de reparação. Trata-se de um processo cheio de dor, passando de alguma maneira "através do fogo"
- De que fogo se trata? Estamos, certamente, perante uma linguagem simbólica: é o fogo de uma purificação muito dolorosa. Sabemos que às almas do Purgatório nada causa tanto sofrimento como a consciência de que, por própria culpa, estão privadas, por longo tempo, da felicidade de contemplar a Deus. Trata-se de uma saudade pelo Pai, que fustiga a alma tanto mais dolorosamente quanto mais avança o processo de purificação.

B. -A Igreja padecente, tendo entrado «na noite na qual já ninguém mais pode trabalhar», ou seja, acumular méritos e amadurecer para a felicidade definitiva, espera a ajuda dos membros vivos do Corpo de Cristo, que ainda vivem no mundo e têm a possibilidade de fazer reparação.
- A Igreja militante guarda fielmente as palavras da Sagrada Escritura:
"Coisa santa e salutar é orar pelos mortos" (2 Mac 12, 43). Todos nós temos a agradável e carinhosa obrigação de oferecer pelas almas do Purgatório as nossas orações e indulgências, sofrimentos e méritos, mortificações, trabalhos e, especialmente, o Sacrifício Eucarístico, no qual se torna presente sacramentalmente a infinita reparação do sacrifício de Cristo na cruz. Dessa forma as palavras de S. Paulo de que "os membros tenham o mesmo cuidado uns para com os outros" (1 Cor 12, 25) em nenhuma parte se confirma tanto como nas orações da Igreja pelas almas dos que faleceram... - O menor sofrimento no Purgatório - como dizem os santos - ultrapassa todos os possíveis sofrimentos na terra. Está em nosso poder reduzi-los e ajudar as almas a alcançar a felicidade pela qual anseiam.
Por isso, o amor ao próximo deve ser o estímulo para lhes levar auxílio. Além disso, encontram-se lá os nossos pais, irmãos, amigos, parentes e também cristãos, irmãos de Jesus Cristo, membros de um só Corpo, companheiros na eternidade, a quem temos obrigação de amar como Nosso Senhor nos amou.
Finalmente, o nosso próprio interesse exige que levemos ajuda às almas do Purgatório, pois elas serão nossas protectoras diante de Deus e rezarão por nós incessantemente.
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Pagina 63 Versos 121 a 124



121
Uma série de graças Deus derrama sobre a alma depois dessas provas de fogo. A alma deleita-se com uma estreita união com Deus. Tem muitas visões sensitivas e intelectuais, ouve muitas palavras sobrenaturais e, muitas vezes, ordens claras, mas apesar dessas graças, ela não se basta a si mesma. Tanto mais porque, tendo-lhe Deus concedido tais dons, sabe que se encontra exposta a certos perigos e facilmente pode cair na ilusão. Deve pedir a Deus um diretor espiritual, e não apenas rezar pedindo um diretor, mas esforçar-se na procura de um guia que seja experiente, como o comandante, que tem que conhecer os caminhos que levam à batalha. A alma que esta unida com Deus deve ser preparada para grandes e árduos combates.
Após essas purificações e provas, Deus permanece na alma de maneira especial, todavia, a alma nem sempre colabora com essas graças. Não que ela mesma não queira trabalhar, mas porque encontra tão grandes dificuldades exteriores e interiores que é preciso realmente um milagre, para que essa alma possa manter-se nessas alturas. Aqui se faz necessário um diretor. Frequentemente enchia-se de dúvidas a minha alma e, algumas vezes, eu mesma me atemorizava, pois pensava que, afinal de contas, era uma ignorante e não tinha conhecimento de muitas coisas e menos ainda de coisas espirituais. No entanto, se as dúvidas aumentavam, eu buscava luz com o confessor ou com as Superioras, embora não recebesse aquilo que desejava.

122
Quando me abri às Superioras, uma delas compreendeu a minha alma e o caminho pelo qual Deus me conduzia. Enquanto me atinha às suas orientações, comecei a progredir rapidamente no caminho da perfeição. Mas isso não durou muito tempo. Ao desvendar mais a fundo minha alma, não recebi o que desejava: para a Superiora essas graças pareciam impossível, de modo que nada mais dela pude receber. Disse-me que não era possível que Deus convivesse dessa maneira com a criatura. ¨Temo pelo Irmã, porque talvez seja alguma ilusão. Que a Irmã peça o conselho de algum sacerdote¨. Contudo, o confessor não me compreendeu e disse: ¨É preferível que a Irmã fale sobre essas coisas com as Superioras. ¨E assim eu andava das Superioras ao confessor, do confessor às Superioras, sem encontrar tranquilidade. As graças divinas tornaram-se para mim um grande sofrimento. Dizia, algumas vezes, claramente ao Senhor: ¨Jesus, eu tenho medo de Vós. Não sereis algum fantasma?¨Jesus sempre me tranquilizava, mas eu continuava incrédula. Coisa estranha: Quanto menos acreditava, tanto mais Jesus me dava provas de que tudo provinha d¨Ele.

123
Quando percebi que as Superioras absolutamente não me tranquilizavam, resolvi não falar nada mais dessas coisas puramente interiores. Exteriormente, procurava, como boa religiosa, dizer tudo às Superioras, mas, sobre as necessidades da alma, daqui por diante só falava no confessionário. Por várias e muitas justas razões, compreendi que a mulher não foi chamada a distinguir tais mistérios. Expus-me a muitos sofrimentos desnecessários. Por muito tempo fui considerada como possessa pelo demônio e olhavam para mim com pena, e a Superiora começou a tomar certas precauções a meu respeito. Vinha aos meus ouvidos que as Irmãs também assim me consideravam. E escureceu o horizonte em minha volta. Comecei a evitar essas graças divinas, mas em vão, pois, afinal, isso não estava no meu poder. De repente, ficava envolta em tão grande recolhimento que, mesmo contra a minha vontade, mergulhava em Deus, e o Senhor me mantinha junto de si.

124
Nos primeiros momentos, a minha alma ficava sempre um pouco atemorizada, mas em seguida uma estranha paz e força enchia a alma.



Pagina 62 Versos 119 a 120


119
Do meu ponto de vista e experiência, a regra do silêncio deveria estar em primeiro lugar.Deus não se comunica à alma tagarela que, como zangão na colmeia, zumbe muito, mas não fabrica mel. A alma tagarela é vazia interiormente. Não há nela nem virtudes sólidas, nem familiaridade com Deus. Não há nela condições para levar uma vida mais profunda, para a doce paz e silêncio, em que reside Deus. A Alma que não saboreou a doçura do silêncio interior é um espírito inquieto e perturba o silêncio dos outros. Vi muitas almas nos abismos do Inferno, por não terem observado o silêncio. Elas mesmas me disseram isso, quando lhes perguntei qual tinha sido a causa da sua perdição. Eram almas de religiosas. Meu Deus, que grande dor, pois, afinal, poderiam não apenas estar no Céu, mas mesmo ser santas!
Ó Jesus, misericórdia! Até tremo quando penso que devo prestar contas da minha língua! Nela está a vida, mas também a morte; muitas vezes, matamos com a língua, cometemos verdadeiros homicídios, e ainda consideramos isso como coisa pequena? Realmente, não compreendo consciências desse gênero. Conheci uma pessoa que, tendo sabido de certa coisa que dela se falava...adoeceu gravemente, e resultou disso que perdeu muito sangue e derramou muitas lágrimas. E este triste resultado não foi causado por uma espada, mas apenas pela língua. Ó meu Jesus silencioso, tende misericórdia de nós!

120
Enveredei pelo assunto do silêncio, mas não é disso que queria falar, e sim da vida da alma com Deus e de como responde à graça. Quando a alma foi purificada e o Senhor convive com ela familiarmente, então agora é que toda a força da alma começa ser empregada na busca de Deus. Contudo, ela por si nada pode,mas somente Deus que dispõe tudo, e a alma sabe disso e tem consciência disso. Ela ainda vive no exílio e compreende bem que isso de uma maneira bem diferente do que no passado. Não se sente segura numa falsa paz, mas prepara-se para a luta. Ela sabe que pertence a uma geração de guerreiros e mais consciente de todas as coisas. Ela sabe que é de linhagem real, e que tudo que é grande e santo, refere-se a ela.

121
Uma série de graças Deus derrama sobre a alma depois dessas provas de fogo. A alma deleita-se com uma estreita união com Deus. Tem muitas visões sensitivas e intelectuais, ouve muitas palavras sobrenaturais e, muitas vezes, ordens claras, mas apesar dessas graças, ela não se basta a si mesma. Tanto mais porque, tendo-lhe Deus concedido tais dons, sabe que se encontra exposta a diversos perigos  e facilmente pode cair na ilusão. Deve pedir a Deus um diretor espiritual, e não apenas rezar pedindo um diretor, mas esforçar-se na procura de um guia que seja experiente, como o comandante, que tem que conhecer os caminhos que levam à Batalha. A alma que está unida com Deus deve ser preparada para grandes e árduos combates.